O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não consultou o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre criar uma comissão especial para debater o projeto de lei que pode anistiar as penas dos condenados pelos atos do 8 de janeiro. Nesta terça (29), Bolsonaro esteve em Brasília para defender o projeto e foi pego de surpresa.
Na prática, Lira tirou a tramitação do texto da Comissão de Constituição e Justiça, dominada por deputados bolsonaristas, e mandou de volta à estaca zero.
Tudo foi combinado na noite de segunda-feira (28) entre Lira e Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, sem avisar Bolsonaro. Valdemar negociou com Lira espaço na mesa diretora da Câmara para o partido, caso Hugo Motta (Republicanos-PB) seja eleito para o comando da Casa em fevereiro de 2025.
A presidente da CCJ, Caroline de Toni (PL-SC), só foi informada da decisão de Lira na manhã desta terça-feira (29), horas antes do início da sessão que votaria o projeto.
Bolsonaro teve que engolir a decisão de Lira, mesmo contrariado. Faltou força política, disse um parlamentar ao Bastidor. Já o presidente da Câmara, em dobradinha com Valdemar, conquistou o apoio da bancada do PL para Motta.
Há, contudo, um clima de indignação entre deputados da oposição. Um deles disse ao Bastidor que o cenário só muda se Antônio Brito (PSD-BA), que também disputa o comando da Câmara, garantir que pautará o projeto de anistia em caso de vitória. Caso contrário, a tendência é mesmo o voto em Motta.

