O processo de atração do PT para a candidatura de Hugo Motta, do Republicanos, à presidência da Câmara, envolveu uma conversa decisiva entre o atual presidente, Arthur Lira, e o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Patrocinador de Motta, Lira ofereceu a Haddad a garantia de aprovação, até o final do ano, de PECs (Proposta de Emenda à Constituição) que o ministro precise enviar à Câmara para implementar seu plano de contenção dos gastos públicos. Lira ofereceu a ajuda que Haddad mais precisa no momento.

Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, apresentarão ao presidente Lula nos próximos dias um plano de contenção de despesas, que sofre resistência do PT e do próprio Lula. São medidas essenciais para conter o crescimento das despesas e, consequentemente, da dívida pública – que está em 78% do PIB e subindo. Desde que Haddad falou no tema, o mercado financeiro vive em surtos de ansiedade.

O plano prevê incluir gastos com benefícios sociais – como BPC, abono salarial e seguro desemprego e Abono Salarial – nas regras do Arcabouço Fiscal. Ou seja: ficariam limitados à regra de reajuste de 2,5% mais a inflação. Nos dois últimos anos, essas despesas cresceram sempre acima de 10%.

Haddad falou com o presidente Lula sobre a oferta de Lira. Ontem, quarta-feira, o PT fechou o apoio a Hugo Motta. Além da ajuda ao pacote econômico na Câmara, Lira ofereceu ao PT a Primeira Secretaria e uma vaga no Tribunal de Contas da União para um petista – o candidato é o líder na Câmara, Odair Cunha.

O último item é o mais complexo. O PT já teve oferta semelhante no passado, mas perdeu no voto: em 2006, o próprio ministro Aroldo Cedraz, que está de saída, derrotou um candidato do PT, o então deputado Paulo Delgado.