Gautam Adani, bilionário indiano e dono de um dos maiores conglomerados empresariais do país, foi acusado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) de pagar 250 milhões de dólares em propinas a funcionários do governo indiano. O esquema tinha como objetivo garantir contratos de energia solar que poderiam render mais de 2 bilhões de dólares em lucros ao longo de 20 anos.
As investigações apontam que Adani e seus executivos usaram reuniões, mensagens eletrônicas e documentos para organizar e esconder os subornos. Além disso, eles levantaram mais de 3 bilhões de dólares de investidores americanos, mentindo sobre práticas anticorrupção para conseguir empréstimos e emitir títulos financeiros. Por causa disso, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) abriu ações civis contra Adani e outros acusados, incluindo seu sobrinho, Sagar Adani.
Quatro executivos do grupo também foram acusados de obstruir as investigações. Eles apagaram mensagens, esconderam provas de uma investigação interna e mentiram para autoridades como o FBI e a SEC. As provas incluem registros e documentos que detalham as propinas e os esforços para esconder o esquema.
A crise se soma a outro escândalo envolvendo Adani. Em 2023, a Hindenburg Research, um grupo que se especializa em identificar fraudes no mercado de capitais e apostar contra seus alvos, acusou as empresas de Adani de manipular ações e cometer fraude contábil. As denúncias fizeram a empresa perder mais de 150 bilhões de dólares em valor de mercado.
Adani é próximo de Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia. O avanço exitoso da Hindenburg e seus parceiros no mercado de capitais contra Adani já havia estremecido a relação entre a Índia e os Estados Unidos. A ação do DOJ, feita antes da posse de Donald Trump, tem potencial para piorar a relação entre Estados Unidos e Modi, com repercussões globais em múltiplas indústrias que dependem da parceria entre Adani e o governo do primeiro-ministro indiano.
Leia a íntegra da acusação

