O empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido por ser um dos principais operadores do Jogo do Tigrinho no Brasil, afirmou que o ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), é seu “parceiro de buchada”. Foi sua forma de se referir ao magistrado durante depoimento na CPI das Bets, nesta terça-feira (26).

“O Kássio é um amigo meu de mais de 10 anos, lá do Piauí, de comer panelada, buchada de bode e galinha caipira. É só relação de amizade mesmo. Eu nem conheço ele como Nunes Marques, é só como Kássio mesmo”, disse Fernando, em resposta a uma pergunta do senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe.

“Temos um milionário e um ministro do Supremo nas mesma buchada. Que alegria..”, disse o senador, em tom irônico à resposta.

Fernando respondia a uma pergunta de Vieira sobre a carona que deu a Kássio em seu jatinho até à Grécia, para participar da festa de aniversário do cantor Gusttavo Lima em um iate ancorado na ilha de Mykonos, em setembro.

Vieira fez a pergunta porque o cantor é investigado por envolvimento com casas de apostas ilegais.

De acordo com Fernando, a viagem de Brasília a Atenas foi feita sem escalas. A versão do empresário contradiz a do ministro: Kassio afirmou na ocasião que estava na Itália, em um evento acadêmico, quando aceitou o convite. Fernando disse não saber o custo da viagem e negou ter dado outras caronas ao ministro.

Fernando Oliveira Lima é dono da One Internet Group e é considerado um dos homens mais ricos do Piauí, estado natal do ministro. Foi à CPI por ser um operador e divulgador do “jogo do tigrinho” nas redes sociais e por meio de celebridades como Gusttavo Lima.

Ele diz operar uma versão legal do “jogo do tigrinho”, o mais popular dos jogos de apostas. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) se irritou com as evasivas de Fernando nas perguntas mais diretas sobre os negócios.

Na sessão desta terça-feira, os senadores aprovaram uma série de convocações e convites – entre eles, está Gusttavo Lima. Os parlamentares também aprovaram o pedido de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), para apurar as movimentações de dinheiro do cantor.