O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, mandou compartilhar o processo que apura um conluio entre a ONG Transparência Internacional e procuradores da extinta força-tarefa da Lava Jato com Controladoria-Geral da União (CGU), Advocacia-Geral da União (AGU), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Justiça.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (13), a Transparência afirma que Toffoli ignorou a posição da Procuradoria Geral da República no caso. A decisão atendeu a um pedido da J&F, que quer manter viva a investigação, por ter interesse direto nos eventuais resultados.
“As alegações apresentadas pela J&F já foram desmentidas diversas vezes pela própria Transparência Internacional e por autoridades brasileiras, inclusive pelo Ministério Público Federal e, mais recentemente, pela Procuradoria-Geral da República. Apesar disso, estas fake news vêm sendo utilizadas há quase cinco anos em graves e crescentes campanhas de difamação e assédio à organização”, afirmou a entidade.
O acordo que os procuradores da Lava Jato teriam tido com a Transparência Internacional previa usar parte dos recursos do acordo de leniência da empresa dos irmãos Batista em um fundo para promover a luta contra a corrupção no Brasil.
O processo começou em 2021, no Superior Tribunal de Justiça, a pedido do então presidente do PT, Rui Falcão. Ele argumentava que a suposta parceria feria a lei, já que o dinheiro deveria ser depositado em um fundo comandado pela União.
Dois anos depois, Falcão pediu que o processo fosse repassado ao STF, onde ficou sob a relatoria de Toffoli. O deputado argumentou que o caso teria ligação direta com a reclamação aberta pelo presidente Lul, que anulou os processos a que respondia na Lava Jato.
No início do ano, Toffoli decidiu retomar o processo contra a Transparência Internacional. O Bastidor mostrou as falhas contidas na ação aberta por Rui Falcão.
Em outubro deste ano, a Procuradoria-Geral da República informou não haver qualquer prova e que a suposta entre os procuradores e a Transparência Internacional existiu. Além disso, a J&F não foi alvo de nenhuma ação direta da força tarefa da Lava Jato.
Mesmo com esse posicionamento da PGR, Toffoli decidiu, por conta própria, manter viva a história ao enviar os documentos para os órgãos de investigação administrativa da União.

