A despeito de incertezas sobre a candidatura à reeleição em 2026, o presidente Lula disse a interlocutores recentemente que dará preferência ao PSD na vaga de vice. O recado significa que, a preço de hoje, Gilberto Kassab, presidente do partido, terá o direito de apontar o vice de Lula para um possível quarto mandato.
A decisão é reflexo do resultado das eleições municipais deste ano. O PSD de Kassab foi o partido que mais elegeu prefeitos, 887. Antes do resultado, os balões de ensaio petistas apontavam para uma composição de chapa em 2026 com o MDB. Nesse caso, o escolhido seria o governador do Pará, Helder Barbalho.
Kassab é secretário no governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo – possível candidato bolsonarista em 2026 – e se dá bem com Lula, tanto que o PSD tem três ministérios – Minas e Energia, Agricultura e Pesca. Devido a esta façanha, Kassab é criticado por bolsonaristas e pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por “manter um pé em cada canoa”.
Em 2022, Kassab liberou os diretórios do PSD na eleição presidencial: alguns foram com Lula, outros com Jair Bolsonaro. Para 2026, Lula quer a maioria do PSD com ele.
Para isso, a articulação política do governo já iniciou consultas sobre uma reforma ministerial em 2025. O PSD não quer mais a pasta da Pesca, comandado por André de Paula; prefere o ministério da Ciência e Tecnologia, que tem maior capilaridade para chegar a municípios que o PSD vai comandar a partir de 2025.
O Ministério da Ciência e Tecnologia hoje é do PC do B e a ministra é Luciana Santos. Numa eventual reforma, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também do PSD, pode ir para a Justiça ou mesmo Minas e Energia, segundo articuladores do governo.

