O Partido Liberal (PL) e o entorno de Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, negam que a legenda vá bancar a defesa de Walter Braga Netto, ex-ministro e general da reserva, preso preventivamente pela Polícia Federal sob acusação de obstrução das investigações relacionadas ao golpe de Estado de 2022.
Fontes próximas a Valdemar afirmam que a prioridade do partido é blindar a legenda, e seu principal ativo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também indiciado nas investigações.
Braga Netto foi preso no dia 14 de dezembro, com a autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Após quatro dias detido, o general trocou de advogado, substituindo Luis Prata por José Luis Oliveira Lima. Juca, como é conhecido, já defendeu o petista José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil de Lula, o doleiro Alberto Youssef e o médico Roger Abdelmassih, condenado por estupro de pacientes. O advogado também negociou, sem sucesso, um acordo de delação premiada para Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, que foi recusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O advogado é também o responsável pela defesa de Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Bolsonaro, réu por assédio moral e sexual durante a gestão do banco.
Após perder as eleições em 2022, Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, foi acomodado no PL, onde ocupou o cargo de Secretário Nacional de Relações Institucionais. O partido garantiu diversas regalias ao general, como um salário de cerca de 40 mil reais, carro com motorista, um flat em Brasília e assessores.
Em fevereiro de 2024, Braga Netto foi desligado do PL após ser alvo da Polícia Federal na operação Operação Tempus Veritatis. Em buscas e apreensões na sede do partido, foram encontrados documentos, na mesa do coronel Flávio Peregrino, assessor de Braga Netto, com detalhes sobre a delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid. O material foi usado como argumento para a prisão preventiva de Braga Netto.
Valdemar até hoje não se pronunciou sobre a prisão do general. Bolsonaro e seus filhos fizeram publicações pontuais e ponderadas nas redes sociais.
Sob reserva, membros do PL dizem que a prisão de Braga Netto não é assunto partidário, e que legenda não pode ser responsabilizada por condutas individuais.
Por ser preventiva, a prisão de Braga Netto segue sem prazo para terminar.
Reportagem de Alisson Matos e Karen Couto

