O Tribunal de Justiça da Bahia brecou mais uma tentativa da Ferbasa e da Fundação José Carvalho, ligada à empresa, de protelar o processo em que são rés por suspeita de cometer fraudes contábeis que dilapidaram o patrimônio de José Eduardo, filho de José Carvalho, fundador da companhia e da entidade filantrópica.

A presidência do Tribunal de Justiça da Bahia negou o pedido de ambas para afastar o desembargador José Jorge Barreto da Silva da relatoria do caso que as envolve. A decisão apontou falta de embasamento no pedido e disse que não havia motivo para retardar um processo que começou a tramitar em 2012.

O caso está no Judiciário porque o único filho de José Carvalho, José Eduardo, busca esclarecer a destinação do patrimônio do seu pai e de que forma a fundação vem administrando os bens da instituição. 

A tática da Ferbasa e da Fundação José Carvalho é conhecida na Justiça baiana. Na primeira instância, as rés fizeram todo o possível para atrasar o processo. No ano passado, a Justiça ordenou que a empresa e a entidade fornecessem documentos para a investigação. A Ferbasa e a Fundação não obedeceram. Pediram para entregar o material em cartório, o que foi negado. 

Diante da resistência, a Justiça expediu uma ordem e foi feita uma busca e operação na empresa e na fundação. Mesmo assim, as autoridades se depararam com cópias incompletas dos documentos e inúmeras páginas em branco.

O Ministério Público da Bahia foi acionado pelo juiz da causa para investigar a resistência da Ferbasa e da Fundação em entregar seus livros-caixa e outros registros contábeis.

 Na mais recente manobra, a Ferbasa e a Fundação alegaram suspeição para pedir o afastamento do desembargador Barreto da Silva. O pedido foi apresentado depois que o magistrado criticou a conduta da empresa e da entidade, ao dizer que ambas adotam manobras para protelar o processo.

 Numa manifestação em 30 de outubro, o desembargador marcou uma audiência de conciliação para 21 de novembro. O encontro não aconteceu porque Ferbasa e Fundação José Carvalho alegaram que as críticas do desembargador retiravam sua imparcialidade para analisar o processo e pediram seu afastamento nas vésperas da audiência.

A presidente do tribunal, Cynthia Resende, negou os pedidos da Ferbasa e determinou que o caso volte a tramitar. Com a volta do judiciário, o relator do caso deve retomar o julgamento nos próximos dias.

Leia abaixo as decisões citadas nesta notícia: