A Polícia Federal indiciou quatro ex-diretores da Polícia Rodoviária Federal sob suspeita de dificultar o deslocamento de eleitores durante o segundo turno das eleições de 2022. Os investigados são suspeitos de organizar bloqueios em vias estratégicas, principalmente no Nordeste, com o objetivo de restringir o direito ao voto e favorecer o então candidato Jair Bolsonaro (PL).
Os indiciados são Luis Carlos Reischak Junior, ex-diretor de Inteligência da PRF; Rodrigo Cardozo Hoppe, ex-diretor de Inteligência substituto; Djairlon Henrique Moura, ex-diretor de Operações; e Adiel Pereira Alcantara, ex-coordenador de Análise de Inteligência. Também foi incluído no inquérito Bruno Nonato dos Santos Pereira, ex-coordenador-geral de Inteligência da ANTT.
Segundo o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, os suspeitos são investigados pelos crimes de desobediência, prevaricação, restrição ao exercício do direito ao voto e participação no crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A investigação apontou que as ações desobedeceram ordens diretas do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes.
Este é o segundo grupo de envolvidos indiciado pela PF na mesma apuração. Em agosto de 2023, o ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, também foram suspeitos de utilizar órgãos públicos para dificultar o transporte de eleitores. Silvinei chegou a ser preso preventivamente, sendo solto em agosto de 2024, sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Além das irregularidades na PRF, as investigações abrangem o uso de outras instituições, como a Agência Brasileira de Inteligência, para monitorar adversários políticos e proteger aliados do governo Bolsonaro.

