O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) concedeu mais 10 dias para que a Volkswagen, a Porsche e a Audi se manifestem no processo que investiga a conduta das três empresas e também da BMW e da Mercedes-Benz, por suposta prática abusiva contra os consumidores brasileiros.

O processo foi aberto em julho de 2024 e apura a suposta troca de informações entre as montadoras alemãs para atrasar o desenvolvimento de tecnologias relacionadas à emissão de poluentes nos automóveis produzidos por elas. Segundo o Cade, a prática teve início ainda nos anos 1990 e se estendeu, pelo menos, até 2017.

As montadoras alemãs foram alvo de uma investigação pelo mesmo motivo, dentro da União Europeia. Elas foram condenadas a pagar 875 milhões de euros em multas, por prejudicarem o mercado automobilístico do bloco. O valor foi dividido entre quase todas elas – a Mercedes conseguiu evitar a multa por ter colaborado com as investigações.

Segundo as autoridades europeias, executivos das montadoras alemãs montaram uma espécie de cartel, no qual combinavam que limitariam os esforços na produção de novas tecnologias que pudessem reduzir as emissões de gases nocivos. Curiosamente, os carros alemães são colocados entre os mais confiáveis à disposição no mercado.

Das cinco empresas investigadas pelo Cade, três fazem parte do mesmo conglomerado. Porsche e Audi pertencem ao Grupo Volkswagen, cuja marca principal também é alvo da apuração do órgão brasileiro.

No Brasil, o processo foi aberto depois de um relatório técnico do Cade, apontando indícios da prática abusiva. O documento está disponível para acesso na internet, mas parte dele, relacionada à investigação em si, é sigilosa. Ainda não há prazo para que o processo seja julgado.