A ex-diretora de Relações com Investidores da Oi Cristiane Barretto Sales firmou um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários e pagará 420 mil reais para encerrar um processo sancionador por vazamento de informações sobre a segunda recuperação judicial da empresa de telefonia. O combinado foi assinado na terça-feira, dia 4.
Na noite de 1º de fevereiro de 2023, foi divulgado que a Oi acionou a Justiça para pedir novas blindagens contra credores por conta de uma dívida de 29 bilhões de reais. Na manhã do dia 02, a companhia divulgou um fato relevante que confirmava a solicitação ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Naquele dia, as ações da empresa caíram quase 32%, percentual muito superior à média das quedas registradas nos 60 pregões anteriores. Devido à oscilação atípica, a CVM pediu à Oi que dissesse publicamente se a notícia publicada no dia anterior era verdadeira e esclarecesse melhor assunto. A empresa fez isso na manhã do dia 3, em um novo fato relevante.
Segundo a CVM, o fato de a imprensa ter antecipado a nova recuperação judicial da Oi e a demora da empresa em esclarecer o assunto prejudicou os acionistas. Como responsável pela área, Cristina Barretto, foi investigada em um processo. O acordo firmado encerra o assunto.
Como já mostrou o Bastidor, a Oi só continua operando porque o governo faz questão de dar sobrevida à empresa. Em julho do ano passado, o TCU garantiu que a empresa de telefonia deixasse de pagar 17 bilhões de reais em multas devidas à União.
O movimento, capitaneado por Bruno Dantas, então presidente do TCU, livrou a Oi da dívida sob o argumento de que a legislação que garantiu a privatização da telefonia nos anos 1990 prejudicou a companhia. Tudo foi feito em sigilo.

