Uma das empresas mais conhecidas do país, a Bombril S.A. entrou com pedido de recuperação judicial para reestruturar uma dívida de aproximadamente 2,3 bilhões de reais, decorrente de autuações da Receita Federal sobre operações realizadas entre 1998 e 2001, quando era controlada pelo grupo italiano Cragnotti & Partners.
A dívida está relacionada à compra de títulos de dívida estrangeiros (T-Bills). Segundo a Receita Federal, a empresa não recolheu os tributos devidos. Diante de uma decisão judicial recente desfavorável, a Bombril optou por contabilizar o passivo e recorrer à recuperação judicial.
Aprovada pelo Conselho de Administração, a decisão de pedir recuperação judicial visa preservar as operações, proteger o caixa e permitir uma negociação estruturada com credores. O pedido foi ajuizado na 1ª Vara Regional Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da 1ª Região Administrativa Judiciária de São Paulo.
Esta não é a primeira vez que a Bombril enfrenta dificuldades financeiras. Em março de 2023, a empresa firmou um acordo com um fundo de direitos creditórios para obter linhas de crédito de até 300 milhões de reais, dando como garantia entregas futuras de mercadorias.
Apesar das dificuldades financeiras, a Bombril mantém um desempenho positivo. No terceiro trimestre de 2024, registrou receita bruta de 1,7 bilhão de reais, um crescimento de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido foi de 56,4 milhões de reais, enquanto o EBITDA atingiu 181,2 milhões.
Em fato relevante divulgado, a empresa afirma que a recuperação judicial garantirá a continuidade das operações, minimizando impactos sobre credores e fornecedores, além de permitir a reestruturação da dívida com o menor prejuízo possível.
Após o anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações da Bombril (BOBR4) caíram cerca de 30%. A empresa anunciou que realizará Assembleia Geral Ordinária no dia 30 de abril para discutir a situação e as próximas etapas do processo.

