Sandoval Feitosa, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, sonha em mudar a sede do órgão regulador – um sonho que pode custar 7,5 milhões de reais a mais do que é pago atualmente pela Aneel a cada ano. A informação consta de nota técnica obtida pelo Bastidor.
Funcionários da agência buscam um novo lar para o órgão desde o fim do ano passado. Encontraram uma possibilidade no Setor de Autarquias Norte, em Brasília, no edifício Lottus Tower, que pertence à empresa Lotus Cidade.
O argumento inicial para a Aneel justificar o sonho do aluguel foi o custo das reformas necessárias para manter a atual sede, construída na década de 1970. De acordo com a nota técnica da agência, os reparos e melhorias custariam quase 35 milhões de reais, valor que engloba a reforma interna do prédio, a substituição de sistemas de som, vídeo, energia elétrica e segurança, a troca do telhado, a manutenção das placas solares e novos elevadores.
Além dessas previsões, a nota técnica da Aneel incluiu os gastos já programados pelo órgão com a manutenção do prédio nos próximos anos. Eles somam quase 17 milhões de reais.
Os gastos no novo lar seriam 7,5 milhões reais maiores do que o que é pago atualmente, que é de 12,5 milhões de reais anuais. O cálculo engloba condomínio, aluguel e manutenção predial. O valor extra seria devido mesmo com a agência tendo menos espaço do que ocupa atualmente.
Hoje, o órgão tem 9,5 mil metros quadrados ao seu dispor. Com a mudança, passaria a ter pouco mais de 7 mil metros quadrados só para agência, além de outros 1,2 mil metros quadrados de “áreas de apoio”. A redução também vale para as vagas de estacionamento, que caíriam das atuais 520 para 232.
Outro problema citado na nota técnica é a falta de espaço na possível nova sede para abrigar o centro de dados da agência. O custo estimado para mover os equipamentos e construir uma nova sala-cofre é de quase 19 milhões de reais.
Soma-se a esse dinheiro os seis meses para concluir a sala-cofre, criada especificamente para proteger os dados armazenados de incêndios e até roubos. Esse prazo não inclui as licitações necessárias para a mudança, pois haveria quebra de contratos de diversos serviços e bens usados no centro de dados da agência.
Todas essas dificuldades fizeram a área técnica sugerir a manutenção dessa estrutura na atual sede, o que geraria mais custos ao órgão, que hoje partilha 30% do imóvel com a Agência Nacional do Petróleo. A conclusão da área técnica da Aneel é que a mudança colocaria a agência num edifício “novo, moderno e sustentável, mas ao custo alto”.
Leia a nota técnica da Aneel:

