Um dos principais pontos elencados pela administração judicial sobre o plano de recuperação judicial da Odebrecht é a participação do Oliveira Trust como agente fiduciário da empreiteira. O relatório apresentado no dia 17 cita o fato de a empresa de custódia de valores não ter aparecido na primeira versão da proposta. Essa ausência não é justificada.
O primeiro plano de recuperação judicial foi apresentado em novembro, aceito pelos credores em dezembro e anulado poucos dias depois pelo juiz Paulo Furtado, da 2ª Vara de Recuperações Judiciais e Falências de São Paulo. Furtado considerou que o plano favorecia o BTG, que aportará 120 milhões de dólares na Odebrecht em troca de participação acionária em projetos da empreiteira.
A chegada do Oliveira Trust aumenta ainda a influência do BTG na restruturação, pois o banco, além de ser financiador-âncora da empreiteira, é um dos principais clientes da empresa de custódia. Em setembro de 2023, o dono do BTG, André Esteves, garantiu ao Oliveira Trust movimentações de 3,5 bilhões de reais em certificados de recebíveis do agronegócio.
O relatório elaborado pela administração judicial é um ato corriqueiro do processo de recuperação. Cabe ao administrador nomeado como auxiliar do Judiciário verificar a legalidade das propostas da empresa em restruturação e sugerir mudanças no plano ao juiz responsável pelo processo.
O Oliveira Trust é um agente conhecido do mercado de capitais. Seu papel no caso da Odebrecht é assegurar a lisura e o lastro de títulos emitidos por empresas em recuperação judicial.
O Oliveira Trust atua em outro grande caso empresarial, a falência da usina Laginha, de Alagoas. Nesse processo, o Oliveira Trust administra o fundo Pearl, representado juridicamente por Guiomar Mendes, do escritório Sergio Bermudes, um dos maiores do país. Guiomar é esposa do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Leia o relatório feito pela administradora judicial Joice Ruiz:

