A juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, aceitou o pedido de recuperação judicial do Vasco da Gama e da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Assim, a diretoria vascaína deverá apresentar um plano de reestruturação para quitar a dívida de cerca de 1,4 bilhão de reais.
A recuperação judicial do Vasco e da SAF vem em um momento em que o clube disputa a gestão do seu futebol, com a empresa 777 Partners. O grupo americano é acusado de fraudes fiscais na Inglaterra e nos Estados Unidos. A diretoria vascaína tenta desfazer o acordo, que previa investimentos de 700 milhões de reais.
Na decisão, a juíza reforçou que o comando da SAF deve permanecer com a diretoria do Vasco, já que há risco de que a manutenção da 777 possa piorar ainda mais as finanças do clube.
Uma das saídas para a recuperação judicial deve ser a venda da SAF, a outro grupo de investidores. Há meses, o presidente do clube, o ex-jogador Pedrinho, tenta viabilizar o negócio, mas até agora não recebeu propostas.
No pedido apresentado à Justiça, o Vasco também citou a possível venda de jogadores – tanto do time principal, quanto da base – para ajudar no reequilíbrio das contas. Caso a SAF seja vendida, a expectativa de construção de um novo estádio em São Januário é vista como outra forma de aumentar a receita.
A aceitação do pedido, porém, é apenas a primeira fase da recuperação judicial. Com ela, o clube evita temporariamente execuções judiciais de credores, até que um plano de reestruturação seja apresentado. Caso a maioria dos credores não concorde com o plano, ou o clube não consiga manter os compromissos firmados em juízo, pode ser decretada a falência.
O Vasco não é o primeiro clube brasileiro a entrar com pedido de recuperação judicial. Recentemente, Cruzeiro e Coritiba também recorreram a esse expediente. Porém, em ambos os casos, os pedidos se deram apenas com o clube social e não envolveram as SAFs.

