O ex-diretor financeiro (CFO) do Itaú Alexsandro Broedel está na mira do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, segundo reportagem do Financial Times. O ex-CFO é acusado de conflito de interesse pelo banco por receber parte de valores pagos a um consultor contratado pelo Itaú, a seu pedido.

De acordo com a reportagem, o MPF em São Paulo encaminhou o caso à PF após realizar investigações preliminares sobre a suposta conduta criminosa.

Broedel esteve na direção do Itaú entre 2012 e 2024. Continuou mais alguns dias como administrador licenciado para atender as políticas internas de desincompatibilização, já que estava de saída para o Santander.

Há duas ações do Itaú contra Broedel na Justiça. Em uma delas, cobra parte do que foi pago a ele como remuneração, algo em torno de 3,3 milhões de reais. Em outra, pede 4,8 milhões de reais de indenização por conflito de interesse do ex-funcionário.

O Itaú diz que o ex-CFO atuava como consultor e parecerista na Broedel Consultores e que tinha como sócio Eliseu Martins, professor e um dos mais reconhecidos especialistas de contabilidade no país. Segundo o banco, a informação nunca foi declarada internamente.

O banco acrescenta que o ex-CFO contratou 40 pareceres de outra empresa de Martins, a Care, desembolsando 13,2 milhões de reais. Todos os pagamentos foram autorizados por Broedel.

Ainda de acordo com o banco, foram constatadas 56 transferências da empresa Care em benefício do ex-CFO e de sua empresa com Martins, a Broedel Consultores.

O Bastidor procurou Broedel, que não retornou os contatos.