A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) traz os piores resultados possíveis para o governo Lula. Os números mostram que o presidente está perdendo o núcleo do seu eleitorado, aquele mais fiel, que sempre o acompanhou e o fez vencer Jair Bolsonaro em 2022.

Foram importantes para a eleição de Lula na ocasião, as mulheres, os jovens, os eleitores que ganham até dois salários mínimos, da região Nordeste, os negros e pardos, aqueles com menor escolaridade e os católicos.

A pesquisa mostra o seguinte:

  • Mulheres- a desaprovação de Lula subiu de 47% para 53% de janeiro para março. Pela primeira vez, mais mulheres desaprovam do que aprovam o governo: 53% a 43%.
  • Jovens: a desaprovação de Lula disparou de 52% para 64% e a aprovação caiu de 45% para 33% de janeiro para março entre os eleitores de 16 a 24 anos
  • Mais pobres – Lula ainda é mais aprovado que desaprovado entre quem ganha até dois salários mínimos, mas a queda é vertiginosa: de julho a março, a aprovação caiu de 69% para 52% e a desaprovação subiu de 26% para 45%
  • Nordeste – a tendência se repete: a aprovação cai consistentemente desde julho, de 69% para 52%, enquanto a desaprovação subiu de 28% para 46%.
  • Pretos e pardos -nos dois casos, pela primeira vez a desaprovação superou a aprovação. No caso dos pardos, a desaprovação subiu de 45% em janeiro para 52% em março; entre os negros foi de 43% a 51%
  • Menor escolaridade – Lula está perdendo os eleitores que têm só o ensino fundamental, que sempre foram fieis. A aprovação do governo entre eles ainda é maior que a desaprovação, mas cai consistentemente desde julho: foi de 69% para 55% em março, enquanto a desaprovação subiu de 35% para 41%.
  • Católicos: aprovação e desaprovação estão empatadas em 49%, mas a aprovação caiu três pontos percentuais desde janeiro, quanto a desaprovação subiu 4. Os católicos são fundamentais para Lula, dada sua rejeição entre os evangélicos, desde 2018 mais próximos do bolsonarismo.

No número amplo, a desaprovação do governo atingiu 56%, a mais alta nesta gestão, com crescimento de sete pontos desde janeiro. Hoje, 53% dos eleitores consideram que este mandato de Lula é pior do que os dois anteriores; 71% acham que ele não cumpre o que prometeu na campanha; e, pela primeira vez, mais eleitores consideram seu governo pior que o de Bolsonaro – 43% a 39%.

A situação fica pior porque as avaliações pioraram durante um período de dois meses em que o governo se mexeu para tentar reverter a tendência negativa.

Desde janeiro, Lula trocou o ministro da Secretaria da Comunicação e passou a falar mais, viajar e participar de eventos. O governo lançou programas como o do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, enviou ao Congresso o projeto de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais mensais e fez campanhas publicitárias para divulgar o programa Pé de Meia (que beneficia alunos do ensino médio) e o Farmácia Popular.

Nada disso surtiu efeito até agora. Nesta quinta, Lula participará de um evento para fazer um balanço dos dois primeiros anos de governo. Sua situação nunca foi tão ruim.