No mesmo momento em que o governo dos Estados Unidos impõe tarifas até a países amigos, o Brasil arrisca. A Feira Internacional de Defesa e Segurança – Laad Defense & Security – que vai até quinta-feira, no Rio de Janeiro, receberá representantes do Ministério da Defesa do Irã, que está sob sanções dos americanos há anos.

Os Estados Unidos impuseram as primeiras sanções econômicas ao Irã após a revolução islâmica de 1979 e as ampliou ao longo dos anos. O país vive sob embargo da ONU para a venda de armamentos, porque se recusou a permitir inspeções no seu programa de enriquecimento de urânio – sob suspeita de ser direcionado à fabricação de armas nucleares. Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Irã.

O evento é patrocinado pelas Forças Armadas. Na programação estão previstos pronunciamentos do ministro da Defesa, José Múcio, dos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, além de autoridades do meio policial, incluindo o do diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernando Oliveira.

Segundo o documento, a Laad serve para reunir fabricantes e fornecedores de produtos e serviços aplicáveis a iniciativas de defesa nacional e segurança pública. Entre os expositores, além do governo iraniano, estão empresas do Brasil, Estados Unidos, Turquia, China, Finlândia e Eslováquia. Não há detalhes sobre o que os iranianos pretendem negociar na feira.

O Bastidor tentou contato com a organização do evento para saber os motivos que levaram a feira a receber o governo iraniano, mas não houve resposta.