Horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de importação de 10% a produtos do Brasil, em meio a um tarifaço que atingiu 30 países, a Câmara aprovou, nesta quarta-feira (2), o projeto de lei que aumenta os poderes da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para promover retaliações nesses casos.
A reação a Trump foi capaz de unir novamente governo e oposição, em especial a bancada ruralista. No Senado, o substitutivo da senadora Tereza Cristina, do PP do Mato Grosso do Sul, ao texto original do colega Zequinha Marinho, do PL do Pará, foi aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça em caráter terminativo, sem precisa passar pelo plenário.
A união e a rapidez se repetiram na Câmara. O presidente Hugo Motta abriu uma exceção e colocou em votação um pedido para que matéria fosse apreciada em regime de urgência. O pedido de urgência foi aprovado por 361 votos e, em seguida, o projeto foi aprovado em votação simbólica, sem a necessidade de contagem de votos.
Até o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, defensor de Donald Trump, que obstruiu votação nas comissões para forçar a tramitação do projeto da anistia aos vândalos de 8 de janeiro, se rendeu e não atrapalhou a votação. Fez isso para não criar problemas com o agronegócio, afetado pela decisão de Trump.
O anúncio de Trump já era esperado, faltava saber qual seria a alíquota aplicada. No caso do Brasil, o valor é relativamente baixo e fica no mesmo patamar de países como Colômbia, Turquia, Austrália e Reino Unido.
Os Estados Unidos são o segundo maior importador de produtos brasileiros, atrás apenas da China. Em 2024, o mercado americano comprou 12% de todos os itens enviados do Brasil para outros países. Os principais produtos vendidos são petróleo e derivados, minério de ferro e café.
Uma das razões que pode ter levado Trump a taxar o Brasil em um patamar menor ao de outros países é que a balança comercial entre as duas nações é superavitária para os americanos, embora essa margem diminua a cada ano.
O projeto, que seguirá para a sanção do presidente Lula, também prevê a participação ativa do Ministério de Relações Exteriores em negociações econômicas com parceiros comerciais para evitar a sobretaxação de produtos brasileiros e a consequente retaliação.

