Inelegível até 2030, Jair Bolsonaro (PL) definitivamente não está disposto a abandonar o posto de líder da direita. Em ato realizado neste domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo, o ex-presidente afirmou ter esperança em uma “ajuda internacional” e na futura mudança da composição do Tribunal Superior Eleitoral para reverter sua inelegibilidade e disputar a eleição presidencial de 2026.
Ano que vem, o TSE será presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Bolsonaro. André Mendonça, outro indicado por Bolsonaro ao STF, será o vice na Corte Eleitoral.
“Se acham que vou desistir, estão enganados. Fiz juramento de defender minha pátria com sacrifício da própria vida”, declarou, em cima de um carro de som. Foi a primeira manifestação pública de Bolsonaro desde que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
O ato foi convocado por aliados para pedir anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Cartazes, camisetas e até um batom inflável gigante marcaram o protesto. Algumas músicas, em inglês, faziam referência à situação dos manifestantes presos, numa tentativa de gerar repercussão internacional.
Além de defender a anistia, Bolsonaro aproveitou o palanque e o público para atacar o Supremo Tribunal Federal. Chamou o ministro Alexandre de Moraes de “ditador” e o acusou de abuso de autoridade.
Sete governadores participaram do ato: Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ratinho Junior (Paraná), Wilson Lima (Amazonas), Ronaldo Caiado (Goiás), Mauro Mendes (Mato Grosso) e Jorginho Mello (Santa Catarina). Também marcaram presença o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e parlamentares da base bolsonarista.

O STF não foi o único alvo de Bolsonaro. O Congresso Nacional também foi. Bolsonaro e seus aliados pressionam pela tramitação do projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem evitado colocar a proposta em votação. Motta conta com a modulação das penas pelo próprio Supremo.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou já ter reunido 162 assinaturas de apoio e prometeu divulgar os nomes dos parlamentares favoráveis e contrários.

