O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, aproveitou a cirurgia de emergência de Jair Bolsonaro para protocolar na Câmara, nesta segunda-feira (14), um requerimento para que o projeto de anistia ao ex-presidente e aos vândalos do 8 de janeiro tramite em regime de urgência.
O requerimento tem 262 assinaturas, cinco a mais que o mínimo exigido. Se o pedido for aprovado, o projeto será votado direto no plenário, sem passar por comissões.
Cavalcante apresentou o pedido nesta segunda para evitar que o governo tentasse convencer parlamentares da sua base a retirar assinaturas e aproveitar a internação de Bolsonaro para capturar um clima de solidariedade.
Apesar dos esforços de Bolsonaro para conseguir o benefício para si, com a ajuda do PL, o tema da anistia não pegou. Pesquisas de opinião mostram que os brasileiros não querem anistia a Bolsonaro ou aos vândalos. No último Datafolha, da semana passada, 56% dos entrevistados se disseram contra a anistia.
Sem mobilização popular, a saída passou a ser pelo Congresso. Das 262 assinaturas, 90 são do PL, o partido de Bolsonaro. Mas 150 são de deputados filiados a partidos que têm ministérios e cargos no governo, em especial PP e União Brasil. Os partidos usam o apoio à causa para pressionar o governo.
A manobra de Sóstenes coloca pressão em especial sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, pois agora cabe a ele decidir se leva o projeto diretamente ao plenário. Motta negocia com o governo e com o Supremo uma saída para evitar isso.

