O deputado federal Glauber Braga, do Psol, completou nesta quarta-feira (16) uma semana em greve de fome. O protesto é contra o resultado da sessão da Conselho de Ética da Câmara, que sugeriu a cassação do seu mandato. Desde o fim da votação, ele está acampado na sala sede do Conselho e é acompanhado por médicos.

Braga foi alvo de um pedido de cassação formulado pelo partido Novo, depois que agrediu e expulsou da Câmara o youtuber Gabriel Costenaro, membro do Movimento Brasil Livre (MBL), que o perseguia e insultava há meses. O deputado federal Kim Kataguiri, também do MBL, acabou agredido na mesma ocasião, ao tentar defender Costenaro.

O parlamentar ainda pode recorrer da decisão. O Psol tem até terça-feira para apresentar um recurso à Comissão de Constituição e Justiça. Caso seja negado, o relatório pedindo a cassação seguirá para o plenário, onde o destino político de Braga será definido.

Há uma forte disposição do Centrão em cassar Braga. As duas principais razões são os ataques sistemáticos feitos por ele ao então presidente da Câmara, Arthur Lira, e às emendas parlamentares, em especial o orçamento secreto. Foi o Psol, partido de Braga, quem apresentou ao Supremo o pedido que levou o ministro Flávio Dino a bloquear o pagamento de emendas por seis meses. O Centrão não gosta de Braga, nem do Psol.

Apesar de o governo não ter se manifestado, ele recebeu visitas dos ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secom), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral).

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, também do Rio de Janeiro, afirmou que a cassação de Braga é uma medida excessiva. “Pessoalmente, acredito que cassação deveria ser para casos graves como corrupção ou o da Flordelis, por exemplo (acusada de homicídio). Acredito que uma punição de seis meses de suspensão, no caso de Glauber Braga, estaria de bom tamanho”, disse.

Embora a agressão de Braga a Costenaro tenha sido filmada, sua cassação seria um caso único. O relatório do deputado Paulo Magalhães, amigo de Arthur Lira, tem mais menções ao comportamento de Braga diante de Lira e dos colegas do que das agressões contra Costenaro.

A situação de Braga contrasta com a do deputado Chiquinho Brazão. Embora seja acusado de ser um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco e esteja em prisão domiciliar, Brazão m preso . Embora esteja em prisão domiciliar, Brazão ainda não foi julgado pelos colegas.