Um dos investigados pela Polícia Federal no escândalo do INSS, o empresário Maurício Camisotti tem influência crescente em Brasília. Ele é apontado como sócio oculto da Ambec, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, que faturou 178 milhões de reais entre 2019 e 2023 com o roubo de dinheiro de aposentados e pensionistas.

Desde 2021, a Ambec tem um acordo de cooperação técnica com o INSS. A medida permitiu que a associação descontasse mensalidades na folha de pagamento de pensionistas e aposentados.

No primeiro ano do acordo, a receita da Ambec foi de 135 reais. Em 2022, foi de 14,9 milhões. Não parou por aí. Em 2023, saltou para 91 milhões. Em 2024, somente entre janeiro e março, foram 71,6 milhões.

Segundo a PF, Camisotti foi figura central no esquema. Ele usou parentes como laranjas em empresas com o objetivo de receber e lavar dinheiro.

Camisotti é conhecido em Brasília, onde tem influência. É o dono formal do grupo Total Health (THG). Tem ao seu lado o também empresário e ex-deputado estadual pelo PSDB Antônio Luz Neto, bisneto do ex-governador de Santa Catarina Hercílio Luz.

Camisotti já apareceu, por exemplo, na CPI da Covid, quando o Conselho de Administração Financeira, o Coaf, revelou que ele fez uma transferência de 18 milhões de reais à Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, e produzia a vacina Covaxin. A compra foi cancelada após indícios de irregularidades e possível corrupção.

No caso do INSS, Camisotti foi alvo da operação Último Desconto, que investiga os desvios. O empresário, segundo a PF, recebeu ao menos 43 milhões de reais de três entidades envolvidas na trama.

Além da Ambec, Camisotti estaria por trás da Unsbras e o Centro de Estudos Dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas, o Cebap. Ambos têm o acordo com o INSS que permite o desconto nas aposentadorias.

A Justiça bloqueou mais de 160 milhões de reais da Ambec e de contas ligadas a Camisotti.