O diretor jurídico da J&F, Francisco de Assis, pediu ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, o trancamento de um inquérito policial em que é investigado por crime de difamação contra o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.

Francisco e a J&F acusaram o procurador, que chefiou a força-tarefa da Operação Greenfield, de estar envolvido em um conluio entre o Ministério Público Federal e ONGs, como a Transparência Internacional, para pressioná-las a financiar projetos ligados à operação Lava Jato. Não apresentaram evidências concretas.

A holding dos irmãos Batista e o advogado utilizaram matérias de um site contra Anselmo. No pedido a Toffoli, Francisco e a J&F dizem que o inquérito é uma tentativa de intimidação contra a defesa da empresa e contra a liberdade de expressão.

A J&F e Francisco, além da suspensão e trancamento do inquérito, pedem que o MPF passe a investigar Anselmo por um suposto abuso de autoridade.

Anselmo diz que as acusações contra ele são infundadas e sem provas. Acrescentou que a abertura do inquérito não foi para intimidar, mas sim para apurar se houve crime de difamação.

O ministro Dias Toffoli tem atendido pedidos da J&F nos últimos anos. Chegou a suspender, por exemplo, o pagamento dos cerca de 10,3 bilhões de reais devidos pelo grupo de Joesley e Wesley Batista no acordo de leniência fechado por eles com o Ministério Público Federal. O ministro acolheu o argumento dos irmãos Batista, e de Francisco, de que eles foram coagidos pelos procuradores a firmar o acordo, em 2017.

Foi Toffoli quem também determinou, no ano passado, uma investigação sobre atuação da Transparência Internacional no Brasil.

Em sua defesa, Anselmo diz que a J&F usa o sistema de Justiça de maneira estratégica para tentar deslegitimar a atuação do Ministério Público no combate à corrupção e que acusações contra ele e outros membros do MPF são parte de uma narrativa construída para “revidar” as investigações e acordos prejudiciais à empresa.