O delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, responsável pelo inquérito sobre a venda de sentença por desembargadores e possíveis crimes em processos no Superior Tribunal de Justiça, pediu mais 60 dias para as investigações. No pedido, ao qual o Bastidor teve acesso, ele justifica que foi identificado um “sistema de corrupção sofisticado e complexo”.

A solicitação foi enviada no dia 5 ao ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Bontempo argumenta que o que pareciam atos isolados de compartilhamento de minutas de decisões deram lugar “a um sistema de corrupção consideravelmente mais sofisticado e complexo”.

De acordo com o delegado, os trabalhos revelaram “indícios de fatos com potencial de alterar a profundidade das hipóteses criminais”. Afirma que as revelações chancelam a competência do STF para a supervisão do inquérito policial, o que pode indicar envolvimento de pessoas com foro privilegiado.

O único preso até o momento é o lobista Andreson Gonçalves, apontado como principal operador do esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Mato Grosso e no STJ. Cinco servidores de gabinetes do STJ – dos ministros Og Fernandes, Isabel Gallotti, Nancy Andrighi e Paulo Moura Ribeiro – e os desembargadores João Ferreira e Sebastião de Moraes Filho, do TJMT, estão afastados.

No ofício enviado ao ministro, o delegado da PF pede a prorrogação de todas as medidas cautelares já tomadas contra os investigados.