Ações judiciais protocoladas na semana passada em São Paulo buscam responsabilizar algumas das maiores instituições financeiras do país por envolvimento num esquema que resultou em prejuízos milionários a investidores dos fundos Infinity.

O Bastidor teve acesso às petições dos processos movidos pela Associação Brasileira de Defesa dos Direitos dos Cotistas de Fundos de Investimento em São Paulo. As acusações atingem o BTG Pactual, o banco Modal – que pertence à XP -, a Órama, a Toro, a Necton e a Ativa.

A representante dos investidores lesados afirma que as corretoras ofereciam os fundos ligados à Infinity como se fossem investimentos de baixo risco, enquanto a corretora investia o dinheiro dos cotistas em operações arriscadas, conhecidas como “box de opções”, que simulam empréstimos no mercado de derivativos.

“Foram oferecidos como investimentos seguros, com liquidez diária, isentos de risco relevante. Entretanto, na realidade, estavam sendo geridos de forma fraudulenta, com operações complexas e ilíquidas, incompatíveis com o perfil declarado”, afirma o texto das ações.

A representante das vítimas diz nas ações que houve omissão das corretoras e pede a responsabilização solidária das instituições envolvidas. O valor das causas ultrapassa os 50 milhões de reais.

Em 2022, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais retirou o selo de qualificação da Infinity. Na prática, significa que a empresa deixou de atender aos padrões mínimos de governança, transparência e conduta exigidos para operar com recursos de terceiros no mercado financeiro regulado.

Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou multas que somam mais de 6 milhões de reais, além da suspensão da licença da Infinity por 60 meses por operações irregulares, conflitos de interesse e má conduta reiterada. A gestora Infinity Asset e a administradora RJI eram investigadas pela CVM desde 2018.

Segundo a Associação, apesar das punições, as distribuidoras não deixaram de captar novos clientes e nem forneceram informações sobre os riscos dos investimentos.

As fraudes começaram em 2015, quando a Infinity ainda tinha à frente o seu sócio-fundador, David Jesus Gil Fernandez. O esquema entrou em colapso em 2023.

Essas não são as primeiras ações na Justiça contra as fraudes da Infinity. Há mais de 140 peças em diferentes tribunais, que buscam a responsabilização de David Fernandez e dos demais envolvidos.

Procuradas, as assessorias do BTG e da XP disseram que não comentariam. A Ativa não retornou. O Bastidor não conseguiu contato com as demais citadas.