O presidente Lula aproveitou a viagem a Rússia e China para tentar pacificar a relação entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Tentou, mas não conseguiu; os dois seguem irredutíveis.
Um dos focos é a disputa por uma diretoria na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Silveira não abre mão de indicar Gentil Nogueira para substituir Ricardo Tili, cujo mandato termina no dia 24. E não há argumento que vença a resistência de Alcolumbre a Gentil.
Alcolumbre não apresentou um candidato ao cargo até agora. Sua postura está mais voltada a desgastar Silveira. Desde o final do ano, ele se recusa a votar indicações de candidatos a agências reguladoras no Senado.
A discordância é um dos vários motivos que faz o presidente do Senado pressionar Lula pela queda de Silveira. A empreitada conta com o apoio de Rodrigo Pacheco, seu antecessor na presidência do Senado e ex-amigo e agora rival de Silveira.
Na disputa pela vaga de Tili na Aneel, além de Gentil, são cogitados outros candidatos: Leandro Caixeta, assessor do presidente da agência, Sandoval Feitosa; o ex-presidente da Amazonas Energia Willamy Frota, indicado pelo senador Eduardo Braga; e César Augusto Vilela Rezende, advogado do setor de energia ligado ao Prerrogativas, grupo próximo ao PT, e com ótimo trânsito entre os paulistas do PT e do PSD.
O também advogado Angelo Rezende era cotado para a disputa, por conta da sua proximidade com o PT da Bahia e, principalmente, Jaques Wagner. Mas a pressão de petistas de outros estados arrefeceu suas chances. Recentemente, Wagner emplacou a indicação do advogado Thiago Lopes Cardoso Campos para uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

