A Polícia Federal está prestes a ampliar o escopo da investigação sobre o comércio de sentenças no Superior Tribunal de Justiça, após a 5ª e 6ª fases da Operação Sisamnes deflagradas na semana passada.
Um dos alvos, o empresário Diego Cavalcante Gomes, era visto como uma espécie de laranja do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, principal personagem do esquema. Ele recebeu 5 milhões de reais da empresa Florais Transportes, que pertence a Andreson.
Mas a atuação de Diego vai além disso, segundo fontes que acompanham as investigações. Ele frequentava os corredores do tribunal. Sua parceria com Andreson envolvia o círculo de relações que ambos mantinham com assessores. Diego acionava Andreson para que facilitasse o contato com algum alvo no STJ. O inverso também ocorria.
A investigação sobre Diego tem potencial para colocar no radar da PF assessores de ministros que ainda não apareceram – e, portanto, não foram afastados de suas funções no STJ.
Ao ser alvo de busca e apreensão no dia 13, Diego destruiu seu celular, lançando o aparelho na casa de um vizinho. No dia seguinte, foi emitido um mandado de prisão contra ele por obstrução de justiça. Ele acabou se entregando à PF.
A tentativa de se livrar do celular tem a ver com arquivos de sentenças e diálogos que mantinha no aparelho. Mesmo com a destruição do telefone, a PF tem meios de recuperar o conteúdo com a quebra do sigilo telemático, por exemplo.
Ao Bastidor, a defesa de Diego negou que ele tenha tentado se livrar do celular. Disse que o aparelho estava na assistência técnica.

