Ednaldo Rodrigues comunicou ao Supremo Tribunal Federal que não vai mais insistir para voltar à presidência da CBF. Em petição enviada hoje (19) ao ministro Gilmar Mendes, pediu que fosse desconsiderado o pedido anterior, no qual tentava reverter a decisão da Justiça do Rio que o afastou do cargo.
Na petição, afirma estar motivado pelo “desejo de restaurar a paz no futebol brasileiro” e pela necessidade de “serenidade” na vida familiar. Também declarou não ser candidato nem apoiar ninguém na eleição marcada para domingo (25).
A manifestação traz uma longa exposição de feitos de sua gestão, como a contratação de Carlo Ancelotti, superávit financeiro, campanhas contra o racismo e expansão de torneios de base e feminino. Ao final, Ednaldo afirma que sua saída da disputa é um “gesto sereno e consciente”.
Ele também atribui o próprio afastamento a “movimentos de exclusão política”, alimentados por “grupos inconformados” com o fato de um “nordestino negro ocupar o cargo mais alto do futebol nacional”.
A desistência de Ednaldo veio depois de o ministro Gilmar Mendes não acolher seu pedido para retornar à presidência da CBF. Em despacho publicado no último domingo (18), o ministro optou por abrir prazo de cinco dias para ouvir o PCdoB, o Ministério Público do Rio, a AGU e a PGR antes de analisar o pedido de Ednaldo. Ele também determinou que a disputa pelo comando da CBF deveria ser tratada separadamente, fora da ação principal que discute o papel do Ministério Público em entidades esportivas.
Nos bastidores, o despacho de Gilmar interpretado como o fim do apoio do ministro ao ex-presidente da CBF.
Ednaldo contava com de Gilmar Mendes para se manter no comando da CBF. Foi o ministro quem concedeu, no ano passado, a liminar que manteve o dirigente no cargo por mais de um ano, mesmo após decisão judicial que determinava seu afastamento e a nomeação de um interventor.
Em agosto de 2023, a CBF firmou uma parceria com o IDP (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisa), fundado por Gilmar Mendes e atualmente presidido por seu filho, Francisco Mendes. O ministro não considera haver conflitos de interesses no caso.

