O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou revogar medidas cautelares e desbloquear contas bancárias de dois investigados no esquema de vendas de sentenças no Superior Tribunal de Justiça. O Bastidor teve acesso à decisão, que é mantida em sigilo desde o mês passado.

Os pedidos foram feitos por Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, esposa do principal personagem do esquema, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, e por Daimler Alberto de Campos, servidor afastado do STJ, que era o chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti.

Mirian solicitou o desbloqueio de contas bancárias e a devolução de veículos apreendidos. Já Daimler pediu para ser reintegrado à função pública que desempenhava e ter acesso à conta bancária. Zanin não atendeu.

No despacho, em relação ao servidor afastado, o ministro disse que as “medidas cautelares detalharam os indícios de materialidade e autoria no que se refere ao investigado, apontando para a verossimilhança das hipóteses criminais vertentes” e que não vê “razão para modificar a decisão”.

Zanin também negou acesso aos autos sob a justificativa de que a liberação poderia colocar em risco a apuração dos fatos.

O esquema, além do STJ, envolve venda de sentenças em tribunais estaduais. Cinco servidores de gabinetes do STJ – dos ministros Og Fernandes, Isabel Gallotti, Nancy Andrighi e Paulo Moura Ribeiro – e os desembargadores João Ferreira e Sebastião de Moraes Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, estão afastados.

Andreson Gonçalves está preso. A última operação da Polícia Federal terminou com a detenção do empresário Diego Cavalcante Gomes, amigo de Andreson e também frequentador dos bastidores do STJ.

Atualização às 21h de 23 de maio de 2025: O texto foi atualizado para se inserir a data da decisão.