Num depoimento curto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (30) à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que o então presidente Jair Bolsonaro “jamais mencionou qualquer tentativa de ruptura”.

Tarcísio depôs como testemunha de defesa do ex-presidente, no processo que apura se houve tentativa de golpe para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Apenas a defesa de Bolsonaro fez perguntas. Ao contrário dos outros depoimentos, o ministro Alexandre de Moraes não fez perguntas.

Ministro da Infraestrutura, Tarcísio deixou o governo em março de 2022 para se candidatar ao governo de São Paulo. Admitiu encontros com Bolsonaro em novembro e dezembro daquele ano, já como governador eleito. Afirmou que as conversas giraram em torno da “preocupação com o curso do país” e de reformas.

Disse que encontrou o ex-presidente “triste, resignado” e ressaltou que ele já havia nomeado Ciro Nogueira para a transição. Procurou desvincular Bolsonaro dos atos golpistas do 8 de Janeiro, ao repetir que o ex-presidente “nem sequer estava no Brasil”.

Outro ex-ministro, o senador Ciro Nogueira seguiu a linha de Tarcísio no depoimento. Disse que não participou de nenhuma reunião em que se discutiu ruptura institucional. O ministro Alexandre de Moraes também não perguntou nada ao senador.

Disse que Bolsonaro “orientou a fazer a transição da melhor forma possível” e se recolheu ao Palácio da Alvorada após a derrota, com problemas de saúde. “Não era nada que precisasse despachar com ele sobre transição”, afirmou Ciro.

Já foram ouvidas 45 testemunhas. As defesas já abriram mão de ouvir 16, entre elas os ex-ministros Gilson Machado, Eduardo Pazuello e o advogado Amauri Feres Saad, apontado como autor da minuta golpista. A previsão é de que os depoimentos sejam concluídos na próxima semana.