A Polícia Federal deflagrou hoje (30) mais uma fase da Operação Sisamnes, que investiga o vazamento e a venda de decisões judiciais em gabinetes do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais de Justiça do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Entre os alvos das buscas estão a casa do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), a sede da prefeitura e o presídio onde está preso Thiago Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). A PF apura se ele recebeu tratamento privilegiado na cadeia.
Outro alvo da operação é um advogado de Brasília acusado de repassar dados sigilosos de inquéritos do STJ. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou medidas cautelares contra ele, incluindo a entrega do passaporte e a proibição de manter contato com outros investigados.
Segundo a PF, suspeitos tiveram acesso antecipado a detalhes de operações policiais, comprometendo sua eficácia. Os investigadores começaram a desconfiar desses vazamentos ao analisar celulares apreendidos na Operação Maximus, sobre vendas de decisões do Tribunal de Justiça do Tocantins, em que aliados do governador falavam de “companheiros em Brasília” monitorando o STJ.
O esquema de venda de decisões veio à tona após o assassinato do advogado Roberto Zampieri. A perícia no celular do advogado revelou que Zampieri e o lobista Andreson Gonçalves articularam uma organização criminosa que comercializava a venda de decisões judiciais em Tribunais de Justiça e no STJ. Andreson está preso em Brasília.
Os pagamentos de Og
Em outro braço da investigação do esquema, a PF descobriu que o ministro Og Fernandes, do STJ, transfereiu 899 mil reais a seu ex-chefe de gabinete Rodrigo Falcão entre 2020 e 2023 . Segundo informação divulgada pelo UOL, as operações variavam entre 15 mil reais e 30 mil reais mensais3.
Falcão está afastado da função desde novembro, por determinação do STF, e é apontado como um dos servidores envolvidos no esquema comandado por Andreson. Mensagens descobertas pela PF mostra que os dois tinham uma relação de amizade.
Em nota, o ministro disse que Falcão era responsável por pagar suas contas, por isso fazia as transferências.
A PF encontrou na casa de Falcão um pen drive com dados bancários da família do ministro, além de relógios de luxo. Para os investigadores, Falcão era uma espécie de “faz-tudo”, com acesso à vida pessoal do magistrado. Para a PF, o patrimônio de Falcão não é compatível com a sua remuneração no STJ.
Nenhum ministro do STJ é investigado formalmente, mas a PF apura suspeitas de vazamento de informações por servidores ligados aos gabinetes de Og Fernandes, Paulo de Moura Ribeiro, Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

