O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, marcou para segunda-feira (9) o início dos interrogatórios dos réus do “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado de 2022. Entre eles está o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes reservou sessões para o restante da semana, caso as oitivas não sejam concluídas no primeiro dia.
O primeiro a depor será Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator no processo. Em seguida, os demais réus serão ouvidos em ordem alfabética, conforme prevê a legislação. Os depoimentos serão presenciais, com exceção do general Braga Netto, que será ouvido por videoconferência porque está preso no Rio de Janeiro.
Além de Bolsonaro e Cid, compõem o grupo apontado pela Procuradoria-Geral da República como “núcleo crucial” da trama os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Braga Netto (Casa Civil e Defesa), o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL do Rio de Janeiro).
O anúncio das datas foi feito por Moraes ao encerrar a fase de oitivas das testemunhas de acusação e defesa. Ao todo, 52 pessoas foram ouvidas nas últimas duas semanas, das quais cinco indicadas pela PGR e 47 pelas defesas. A última a prestar depoimento nesta segunda-feira foi o senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, que negou ter tratado de golpe com Bolsonaro ou Braga Netto.
Antes de encarar o STF como réu na ação do golpe, Jair Bolsonaro terá de prestar depoimento à Polícia Federal na quinta-feira (5), no inquérito que investiga seu filho, Eduardo Bolsonaro, por possível tentativa de interferência no Judiciário. A PGR vê indícios de que o deputado atua nos Estados Unidos para que o governo Donald Trump adote sanções contra o Supremo, em represália ao julgamento do pai. A oitiva foi determinada por Alexandre de Moraes, relator de ambos os casos.

