O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de um novo inquérito para investigar se a deputada federal Carla Zambelli tenta obstruir a Justiça ao fugir do Brasil.

Na decisão, ele afirma que a fuga não só busca driblar a execução da pena, como também indica tentativa de repetir os mesmos crimes: propagar desinformação, deslegitimar as instituições e interferir em processos em curso na Corte. Segundo Moraes, a estratégia lembra a adotada por Eduardo Bolsonaro — também investigado por ataques às instituições a partir do exterior.

Zambelli saiu do Brasil no fim de maio, por terra, rumo à Argentina. De Buenos Aires, embarcou para os Estados Unidos. Em vídeos, afirma estar “intocável” por ter cidadania italiana e cogita pedir asilo ao governo Trump. A PGR já pediu sua prisão preventiva e a PF a inclusão de seu nome na lista da Interpol.

A nova investigação será conduzida pela Polícia Federal, que deverá monitorar as redes da deputada, preservar conteúdos publicados por aliados e apurar transferências via pix feitas a ela nos últimos trinta dias. Zambelli também será intimada para depor. Como está fora do Brasil, o depoimento poderá ser por escrito.

O novo inquérito se soma à condenação que levou à fuga. Em maio, por decisão unânime da Primeira Turma do Supremo, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserir documentos falsos – entre eles, um falso mandado de prisão contra o próprio Moraes. O hacker Walter Delgatti Neto foi condenado a 8 anos e 3 meses.