O presidente da Câmara, Hugo Motta, enviou à Comissão de Constituição e Justiça nesta quinta-feira (12) a condenação da deputada Carla Zambelli pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão e fugiu para a Itália para não ser presa.

Como o Supremo determinou também a cassação do mandato de Zambelli, a Câmara pode examinar o caso. No início, Motta disse que não havia o que fazer além de cumprir a ordem do Supremo. Mas, pressionado por bolsonaristas, mudou de ideia e encaminhou a decisão para o rito normal, que dá mais tempo e chances a Zambelli.

O caso vai passar pela CCJ, onde Zambelli poderá apresentar a sua defesa. Depois o caso será examinado pelo plenário. São necessários 257 votos para aprovar a cassação.

A Câmara pode, eventualmente, negar a perda do mandato de Zambelli. Mas isso é improvável, dado que ela não é uma parlamentar popular e influente na casa e foi condenada à prisão. De toda forma, por estar foragida, Zambelli perderá o mandato por excesso de faltas, como aconteceu recentemente com Chiquinho Brazão, que está preso acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, em 2018.

Nesta quinta, Hugo Motta informou ao Supremo que suspendeu o pagamento do salário de Zambelli e bloqueou verbas para seu gabinete, como mandava a decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por contratar o hacker Walter Delgatti para invadir o sistema do CNJ. Moraes decretou sua prisão preventiva e pediu ao governo que busque sua extradição por tentativa de fuga da Justiça. A Interpol incluiu o nome da deputada na lista de difusão vermelha.