Uma pesquisa qualitativa encomendada pela Secretaria de Comunicação do governo Lula há algumas semanas revelou o que integrantes do governo classificam como um cenário próximo da inviabilidade eleitoral do presidente em 2026.
Ao contrário do que costuma ocorrer nessas pesquisas, feitas a pedido do ministro Sidônio Palmeira, esse levantamento não foi compartilhado com o PT, de acordo com fontes do partido que costumam receber. Pouca gente teve acesso.
O diagnóstico repete mais uma vez, os mantras do ministro Sidônio Palmeira: Lula “precisa ir para rua” e “criar nomes” para cada nova ação do governo. O programa Pé de Meia foi usado como exemplo.
Mas, em sua essência, os grupos de eleitores ouvidos pelos pesquisadores em grupos de conversa, anteciparam o cenário desenhado pelos números dos institutos de pesquisa nos últimos dias. A crise do INSS e a falta de resposta convincente do governo ao problema não permitiram à gestão petista recuperar os índices mais favoráveis de avaliação, que haviam sido afetados pelo episódio do Pix no início do ano. Uma crise sucedeu a outra.
Outro ponto crítico apontado é a ausência de ações do governo em relação à segurança pública. Demanda da maior parte dos eleitores, o tema não encontra respaldo no governo petista.
Na quinta-feira (12), o Datafolha mostrou que 40% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Os que avaliam como bom e ótimo são 28%. Lula tem 46% de rejeição, ante 43% de Jair Bolsonaro. No Ipec, os números são de 43% de ruim e 25% de ótimo.
Na semana passada, a pesquisa Quaest apontou que 66% dos brasileiros são contra a candidatura de Lula à reeleição em 2026. Só 32% apoiam a ideia.
Com a pesquisa, Lula resolveu antecipar a campanha à reeleição, ao menos no discurso. Além de voltar a criticas Jair Bolsonaro e seu possível escolhido, o filho Eduardo, o presidente retomou o discurso do “nós contra eles”, de ricos contra pobres, para defender a medida provisória de aumento de impostos e cortes de subsídios fiscais, à qual o Congresso resiste.

