A mais recente pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação do governo federal não foi compartilhada com o PT, como é de praxe. O ministro Sidônio Palmeira havia pedido que a pesquisa fosse paga pelo partido. Como não foi atendido, as conclusões não foram compartilhadas.
A confusão é mais uma consequência da eleição para a presidência do PT, marcada para 6 de julho. A principal desavença, que levou ao surgimento de várias candidaturas e afrontou até a liderança do presidente Lula, é pela secretaria de Planejamento e Finanças do partido, desde 2019 a cargo de Gleide Andrade.
Mesmo com apoio de Lula e do ex-ministro José Dirceu, o candidato favorito, Edinho Silva, sofreu ataques. Viu surgir outras candidaturas. O motivo: não querer manter Gleide como tesoureira em sua gestão. Silva topou negociar outro posto para ela na direção do partido.
Foi a questão do apoio à permanência de Gleide que fez o secretário de Comunicação do partido, deputado Jilmar Tatto, decidir não atender ao pedido do ministro para pagar a pesquisa que ajudaria o governo a entender a situação do presidente Lula. Como Gleide cuida do dinheiro e Tatto decide sobre a comunicação, Palmeira perdeu.
Gleide administra o caixa do PT, por onde passaram no ano passado 619 milhões de reais do fundo eleitoral. A força de Gleide vem da ministra Gleisi Hoffmann, que presidiu o PT nos últimos oito anos e trabalha para que a colega permaneça com a chave do cofre. Desde 2023, Gleide também é conselheira da Itaipu Binacional.
Diante da possibilidade de Edinho compor, outras candidaturas surgiram. São outras três. A principal delas é a de Rui Falcão. Deputado federal por São Paulo, ele não topou abrir diálogo com Gleide. Nos bastidores, de acordo com fontes petistas, diz que a tesoureira privilegia aliados de Minas Gerais, seu estado.
Procurados, Gleide e o PT não se manifestaram.

