Preterido na eleição para a presidência da Câmara, o deputado Elmar Nascimento, do União Brasil, quer melar um acordo feito entre o PT e o presidente da Casa, Hugo Motta, na época da disputa. Elmar quer uma vaga no TCU – e conta com a simpatia de colegas do Centrão.

À época, ficou acertado que os votos do PT para Motta estariam vinculados à indicação de um petista para o Tribunal de Contas da União em 2026. Inicialmente, a vaga foi pensada para Gleisi Hoffmann, que virou ministra da Secretária de Relações Institucionais. Hoje é destinada ao deputado Odair Cunha.

O acordo, contudo, corre riscos por conta de insatisfações do Centrão com o governo e com Motta, que está enfraquecido. O movimento ocorre em meio ao afastamento do União Brasil do governo.

Além do atraso no pagamento de emendas parlamentares, a insatisfação é alimentada pela demora do governo em nomear indicados do Centrão para cargos no DNOCS (Departamento Nacional de Combate à Seca) e na Codevasf. Depois de ser preterido na eleição para presidente da Câmara, Elmar perdeu poder de barganha, mas conseguiu unir em torno de si insatisfeitos com a gestão petista.

Apesar de votar sistematicamente contra o governo e preparar o desembarque para apoiar algum candidato da oposição em 2026, o União Brasil quer a vaga no TCU. Um outro candidato é Danilo Forte, também do União, que rivaliza com Elmar pelo posto.

No caso de Motta, o Centrão reclamou da postura do presidente da Câmara, que apoiou inicialmente a Medida Provisória que elevaria impostos de aplicações financeiras. Enquadrado pelos colegas, Motta passou a atacar o governo.

Candidato de si ao TCU, Elmar Nascimento é um dos parlamentares mais ameaçados pelas investigações da Polícia Federal na operação Overclean, que apura suspeitas de desvios de dinheiro público por meio de emendas parlamentares e de contratos do DNOCS. A PF encontrou um contrato com uma transação comercial entre Elmar e o principal ator do escândalo, o empresário Marcos Moura. O TCU seria um refúgio para Elmar.

A vaga cobiçada por Elmar é ocupada hoje pelo ministro Aroldo Cedraz, que se aposenta no que vem. Outra pode ser aberta, caso o ministro Augusto Nardes decida ser candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul em 2026.