A Polícia Federal (PF) indiciou em seu relatório final da “Abin paralela” o atual corregedor-geral da agência, José Fernando Moraes Chuy, sob a suspeita de produzir um dossiê contra sua antecessora no cargo, Lidiane dos Santos.
O relatório final da PF afirma que duas testemunhas da Abin afirmaram que uma das tentativas de embaraçamento das investigações por parte da atual direção da Abin foi pressionar servidores para que atribuíssem irregularidades a Lidiane dos Santos – e, assim, afetar o curso das apurações.
Foi no mandato de Lidiane que se iniciou as apurações sobre o uso ilegal do FirstMille, que originou toda investigação da ‘Abin paralela’. A relação com a atual direção da Abin tensionou após Lidiane mandar os casos que apurava internamente para a Controladoria-Geral da União (CGU), relatar pressão por parte da atual gestão e colaborar com o inquérito da PF.
Segundo fontes a par das investigações, Chuy produziu um dossiê após identificar como irregular uma decisão de Lidiane em um processo interno que mirava agentes da Abin que atuaram ilegalmente para interferir na investigação da Polícia Federal sobre um suspeita de tráfico de influência de Jair Renan Bolsonaro, filho 04 do então presidente Jair Bolsonaro.
O dossiê produzido por Chuy, no entanto, afirma que a ex-corregedora deixou de indiciar os dois agentes envolvidos no esquema ilegal por orientação de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, e por Frank Márcio, ex-número 2 de Ramagem.
No relatório, a PF diz que as informações são falsas, pois o caso já havia sido enviado por Lidiane para a CGU. Portanto, a atribuição de investigar já não estava mais sob a competência da corregedoria da Abin. Segundo as testemunhas relataram à PF, essa foi uma tentativa bancada por Chuy para pressionar e embaraçar as investigações.
O Bastidor entrou em contato com José Fernando Moraes Chuy e a Abin, que não quiseram se manifestar.

