A Justiça do Amapá condenou o governo estadual, uma empresa de saúde e uma instituição religiosa a indenizarem um paciente que ficou cego após cirurgia de catarata realizada pelo programa “Mais Visão”. A decisão é da juíza Keila Christine Bastos Utzig, da 5ª Vara Cível e de Fazenda Pública de Macapá.
O homem que perdeu a visão é Raimundo Magno Nunes, à época com 59 anos. Ele foi submetido ao procedimento no dia 4 de setembro de 2023. Oito dias depois, em 12 de setembro, foi diagnosticado com endoftalmite, uma grave infecção ocular causada por fungo. A indenização fixada pela Justiça é de 60 mil reais por danos morais, 10 mil por danos estéticos e 28,4 mil por despesas médicas.
Segundo o Ministério Público, mais de 100 pessoas foram infectadas nos olhos em circunstâncias semelhantes no Amapá.
Além do governo estadual, foram condenadas a empresa Saúde Link, responsável pelos procedimentos cirúrgicos, e a Associação Educadora São Francisco de Assis. Conhecida como Centro de Promoção Humana Frei Daniel de Samarate – Capuchinhos, a entidade era oficialmente responsável pela execução do programa.
O “Mais Visão” foi viabilizado por verbas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e implementado ainda durante o governo de Waldez Góes, atual ministro do Desenvolvimento Regional no governo Lula. O programa foi mantido pela gestão do atual governador, Clécio Luís.
Aliados de Alcolumbre participaram diretamente da estrutura do programa. É o caso do empresário Luciano André Goulart, coordenador do “Mais Visão” e dono da Saúde Link, uma das condenadas pela Justiça.
Como mostrou o Bastidor em julho de 2024, Alcolumbre utilizava o jatinho de Goulart. A aeronave havia sido comprada de outro aliado do senador, o também senador Jayme Campos (União Brasil-MT).
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