A OAB de São Paulo escalou o advogado Alberto Zacharias Toron para atuar no inquérito aberto por Alexandre de Moraes que investiga o advogado Luiz Eduardo Kuntz por suspeita de obstrução de justiça ao tentar acessar informações sigilosas da colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid.
O cliente de Kuntz, Marcelo Costa Câmara, e Cid são réus no núcleo principal da tentativa de golpe de estado de 2022, julgada no Supremo.
Toron vai atuar ao lado de Renato Marques Martins. A nomeação, assinada pelo presidente da seccional paulista, Leonardo Sica, diz que a atuação será restrita à defesa das prerrogativas profissionais, sem interferência no mérito da acusação.
Kuntz representa o coronel Marcelo Câmara. Levou ao STF mensagens, áudios e fotos trocadas com Cid entre janeiro e março deste ano. As conversas começaram por iniciativa do delator, com uso de um perfil no Instagram, e incluíram um encontro na Hípica de Brasília. O advogado diz que queria entender o conteúdo e as condições da delação, que sustenta a acusação contra seu cliente.
Dois dias depois da petição, Moraes mandou prender Câmara. Alegou descumprimento de cautelar e tentativa de burlar o sigilo do processo. A decisão não esclarece se Câmara sabia da aproximação de seu advogado com Cid. Moraes não impôs qualquer sanção ao delator. A delação de Mauro Cid continua em vigor.

