Não houve esforço do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para impedir a aprovação da derrubada de três decretos que aumentavam o Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. Segundo um parlamentar petista, Alcolumbre lavou as mãos diante da resistência – ou demora – do governo Lula em ceder aos seus apelos.
Nas últimas semanas, Alcolumbre aumentou a pressão sobre o presidente Lula. Quer, por exemplo, uma posição do governo sobre indicações para agências reguladoras, em especial ANP e Aneel. Alcolumbre trava uma guerra com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por vagas nas duas agências.
O senador também se sentiu traído quando Lula vetou trechos de um projeto que tinha como objetivo estimular a geração de energia eólica em alto mar. Considerava que havia um acerto com líderes do governo. Viu ali as digitais do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e de Silveira na decisão do presidente. Os vetos de Lula acabaram derrubados pelo Congresso na semana passada, com empenho de Alcolumbre.
Há, ainda, um outro desejo do senador ainda não atendido pelo governo: o comando do Banco do Brasil. Segundo um membro do governo, Alcolumbre e Lula já tiveram mais de uma conversa sobre o tema. O presidente chegou a oferecer vice-presidências do banco. Alcolumbre rejeitou, não abre mão de a presidência.
Como mostrou o Bastidor, Alcolumbre sugeriu recentemente a Lula a mudança de ministros. Não só de Silveira. Disse que, para destravar a relação do Planalto com o Congresso, é preciso tirar Rui Costa da Casa Civil e Fernando Haddad da Fazenda.
Petistas do Senado consideram que, diante de um titubeante presidente da Câmara, Hugo Motta, o governo deve dobrar a aposta em uma aliança com Alcolumbre.

