A Polícia Civil de São Paulo rastreou o caminho de cerca de 270 milhões de reais do roubo digital às contas de seis instituições financeiras até as contas de uma pequena fintech chamada Soffy Soluções de Pagamento. O dinheiro já foi bloqueado.

Os investigadores tratam a Soffy como uma empresa suspeita. Apuraram que criminosos usam sua estrutura para lavar e esconder dinheiro sujo. A Soffy é uma empresa pequena, criada há cinco anos. Fica em Atibaia, no interior de São Paulo, e não tem funcionários.

Conforme pessoas a par da investigação, a quantia desviada foi mantida pela Soffy em uma conta bancária que é vinculada a outra instituição financeira, chamada de “conta bolsão”.

A Soffy não aparece no cadastro do Banco Central sequer para operar como instituição de pagamento. Mas operava Pix e contas digitais. Para isso, precisava da estrutura de uma fintech mais robusta ou, provavelmente, de um banco – provavelmente uma combinação das duas coisas. Assim, ficava à margem do sistema financeiro. Essa prática é usada por organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), para lavar dinheiro e evitar bloqueios judiciais.

Como mostrou com exclusividade o Bastidor, a Polícia Civil prendeu na noite de quinta-feira (3) o operador de TI da C&M, João Nazareno Roque, que facilitou o acesso aos hackers.