A Polícia Civil de São Paulo identificou novas fintechs que receberam valores desviados do maior roubo ao sistema bancário digital do Brasil. A lista está entre 10 a 15 instituições. O número não é exato porque, segundo os investigadores, o processo de rastreio ainda não foi concluído.

Segundo pessoas a par da investigação, o método utilizado para o desvio bilionário foi o mesmo. O dinheiro não foi transferido direto para as contas bancárias das fintechs suspeitas, passou antes pelas chamadas “contas bolsão”.

Como essas pequenas fintechs não têm autorização para fazer operações bancárias, usam contas desse tipo, vinculadas a bancos tradicionais – estes, sim, autorizados pelo Banco Central a realizar operações com crédito, débito e Pix.

A prática das “contas bolsão” é usada por organizações criminosas para ocultar os verdadeiros autores e dificultar um eventual bloqueio judicial, pois os valores são misturados ao de clientes de outras empresas.

Os criminosos conseguiram transformar uma parte – ainda desconhecida – do dinheiro roubado em criptomoedas, cujo o rastreio é mais complexo.

Os investigadores ainda averiguam se as mais de dez fintechs usadas no roubo são de fachada. A Soffy Soluções de Pagamento, uma das primeiras a ser identificadas em reportagem do Bastidor, é controlada por laranjas. Foram bloqueados R$ 270 milhões de dinheiro roubado na conta da Soffy.

A polícia espera o rastreio do dinheiro desviado para pedir à Justiça o bloqueio judicial e identificar as movimentações dos cúmplices no esquema.

João Nazareno Roque, funcionário da empresa C&M Software que fornece serviço tecnológico para os bancos, foi preso na quinta-feira (3) e colabora com as investigações.