A Bombril está em negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para conseguir descontos sobre multas cobradas pela União por impostos devidos. A empresa deve 2,3 bilhões de reais.
Em recuperação judicial desde fevereiro, a Bombril entregou seu plano de reestruturação em abril. Citou como motivos para obter blindagem contra credores a situação do setor de produtos de limpeza e a dívida tributária.
Nessas negociações, além de ser exigida a desistência de qualquer processo judicial contra a União, a recuperação dos valores devidos é mais rápida. E mesmo antes do recebimento é possível incluir os montantes como previsão de receita.
Parte da dívida é resultado, segundo fontes a par do caso da Bombril, de remessas ao exterior. A companhia foi investigada por evasão de divisas de 1996 a 2001. Sempre afirmou que tudo foi devidamente declarado.
Apesar do interesse da União, a negociação teve impactos na Comissão de Valores Mobiliários. A autarquia divulgou na sexta-feira (3) que a Bombril deve, desde abril deste ano, formulários de demonstrações financeiras padronizadas, de informações trimestrais e de referência.
O descumprimento na entrega dessa documentação fez com que a CVM alertasse investidores sobre a situação da Bombril. Caso a empresa fique 12 meses sem prestar as informações solicitadas, a comissão pode suspender seu registro no mercado mobiliário.

