O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse nesta terça-feira (15) que divulgou dados do Instituto Voto Legal (IVL) sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas, em 2022, por pressão de deputados do partido. A afirmação foi feita em depoimento à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.

Valdemar depôs como testemunha de defesa de Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do IVL, um dos réus do núcleo 4 dos acusados de tentativa de golpe de estado.

O relatório do IVL apontava que urnas de modelos mais antigos tinham um número maior de votos ao presidente Lula e que isso poderia ser alguma falha do sistema. O dado falso foi usado pelo PL para abrir um processo no Tribunal Superior Eleitoral, que culminou na condenação do partido por litigância de má-fé e multa de 22,9 milhões de reais.

“[Fui] pressionado pelos deputados, que vazaram essa informação que eu teria essa dúvida nas urnas. Isso foi inclusive contra a minha vontade. Mas, como tinha uma pressão muito grande dos deputados para que a gente deixasse público aquilo e recorresse ao TSE, foi feito então esse movimento”, disse.

Esta foi a segunda vez que Valdemar se pronunciou às autoridades sobre esse tema. No ano passado, ele afirmou à Polícia Federal que não concorda com a avaliação de Jair Bolsonaro sobre a falta de lisura das urnas eletrônicas e que chegou a orientar a bancada do partido para que votasse contra a adoção do voto impresso – o que não aconteceu.

Além de Valdemar, também foi ouvido pela manhã o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica. Ele falou sobre as ameaças que recebeu pela internet, por não se dispor a colaborar com o plano golpista.

Mensagens interceptadas pela investigação mostram que o general Walter Braga Netto mandou apoiadores atacarem o brigadeiro e o então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, e elogiarem o almirante Almir Garnier, único do alto comando que apoiava o golpe.

“Eu não tenho dúvida de que os ataques que foram direcionados a mim e ao general Freire Gomes tinham em grande parte o desejo de fazer com que mudássemos a nossa postura legalista. E serão sempre infrutíferas”, disse o brigadeiro à juíza auxiliar Juliana Sorrentino, que coordenou as oitivas.