Em um tom sóbrio e ríspido, o governo brasileiro encaminhou aos Estados Unidos uma carta para reclamar da ameaça de Donald Trump de tarifar em 50% produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O documento é assinado pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, e pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Diferentemente da carta de Trump, divulgada nas redes sociais e endereçada ao presidente Lula, o documento brasileiro foi dirigido ao secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e ao representante comercial do país no Brasil, Jamieson Greer. Em nenhum momento, o nome de Trump é citado.

Do ponto de vista diplomático, o estilo da resposta, sem a assinatura de Lula, é pouco amistoso, já que exclui Trump e pede que os subordinados o informem do descontentamento brasileiro.

A carta lembra o comércio bilateral entre os dois países e reitera que Estados Unidos e Brasil representam as duas maiores economias das Américas. Ainda segundo o documento, desde antes do início das primeiras tarifas anunciadas por Trump, em abril, o governo brasileiro buscava um canal de comunicação e apresentou uma proposta, ainda não respondida.

Apesar das rusgas diplomáticas, o governo brasileiro reitera que pretende continuar as negociações sobre o tema “com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral”.

Antes do anúncio da carta, Alckmin se reuniu com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Os dois parlamentares afirmaram que o Congresso está unido contra o tarifaço de Trump. Ontem, o Senado criou uma comissão especial para negociar diplomaticamente com parlamentares americanos.

Leia a íntegra da carta brasileira: