O Ministério Público Federal (MPF) anunciou a homologação de um acordo de leniência com a multinacional Trafigura, que se comprometeu a pagar 435 milhões de reais em multas por práticas ilegais. A empresa foi um dos alvos da 57ª fase da operação Lava Jato, acusada de pagar propina a funcionários da Petrobras, em operações de compra e venda de petróleo e derivados.
No ano passado, a Trafigura fechou acordo semelhante nos Estados Unidos, no valor de 127 milhões de dólares, por causa do mesmo caso de corrupção.
A Trafigura manteve negócios irregulares com a Petrobras entre 2003 e 2014. Aceitou participar de um esquema no qual se comprometia a pagar propina de até 2 centavos de dólar por barril vendido ou comprado da estatal brasileira. Em troca, obteve vantagens nas negociações, aumentando os próprios lucros em detrimento da Petrobras.
A fraude, que envolveu também as empresas Vitol e Glencore, movimentou cerca de 15 milhões de dólares, segundo as investigações da Lava Jato. O dinheiro era movimentado por contas no exterior, para ocultar a origem dos recursos.
O esquema foi executado na diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada à época por Paulo Roberto Costa, bancado no cargo pelo PP. Costa foi o primeiro réu delator da Lava Jato. Morreu em 2022.
Ainda de acordo com o MPF, a Trafigura não só reconheceu as práticas ilícitas, como garantiu às autoridades brasileiras que cessou as irregularidades. A Controladoria-Geral da União participou das negociações, avaliando o programa de compliance da empresa.

