Lideranças consultadas pelo Bastidor admitem a possibilidade de o PT abrir mão de competir pelo governo de São Paulo em 2026. A prioridade hoje não é vencer a eleição estadual, mas garantir ao presidente Lula um palanque forte, que equilibre a disputa nacional no maior colégio eleitoral do país, na busca pela reeleição.
Parte do PT acredita, contra muitas evidências, que o governador Tarcísio de Freitas será candidato à reeleição, não à Presidência. Tarcísio é bem avaliado e seria um candidato difícil de bater num estado no qual o PT nunca venceu e enfrenta resistências.
Os dois nomes consultados pelo PT para tentar o governo de São Paulo – o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad – não estão interessados. Fontes do partido afirmam que ambos declinaram dos convites. Alckmin teve quatro mandatos como governador do estado e Haddad foi derrotado em 2022.
A persistir a resistência dos dois, o PT não descarta apoiar uma nova candidatura do ministro do Empreendedorismo, Márcio França. Ele já foi governador por oito meses e disputou o cargo em 2018, quando foi derrotado por João Doria.
Em outra frente, líderes petistas também conversam com a ministra do Planejamento, Simone Tebet, para que ela dispute uma das duas vagas ao Senado por São Paulo. Pelo acordo, o suplente seria do PT. Em caso de reeleição de Lula, Tebet continuaria ministra e deixaria a vaga no Senado para o petista.
Quando foi candidata a presidente em 2022, Tebet teve mais de 1,6 milhão de votos em São Paulo. Caso tente o Senado no ano que vem, a ministra colocará o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, numa posição desconfortável.
Aliado do governador Tarcísio de Freitas e reeleito com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, Nunes é do MDB, mesmo partido de Tebet. A articulação do PT pela ministra envolve, também, neutralizar o prefeito.
O Senado é uma disputa prioritária para o PT e a esquerda como um todo, para evitar o plano de Jair Bolsonaro de eleger seus filhos, a esposa, Michelle, e fazer com que a direita tenha maioria a partir de 2027. O objetivo de Bolsonaro é dominar o Senado para vota o impeachment de ministros do Supremo.

