O delegado da Polícia Federal Fábio Shor admitiu nesta segunda-feira (21) que houve equívoco nas informações de que Filipe Martins, assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, viajou aos Estados Unidos para tentar fugir.

Shor lidera o grupo de investigadores responsáveis pelos inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Bolsonaro. Ele foi arrolado como testemunha pelas defesas de Martins e de Marcelo Câmara, réus na trama do golpe.

Durante a investigação, Shor pediu a prisão de Filipe Martins, sob o argumento que ele havia ido para os Estados Unidos junto com Bolsonaro no final de dezembro de 2022. Várias testemunhas, entre elas o tenente-coronel, Mauro Cid, afirmaram que Martins nunca embarcou naquele voo.

Segundo o delegado, a informação de várias entradas e saídas de Martins dos Estados Unidos foi retirada de registros da imigração dos Estados Unidos. Martins ficou preso por seis meses por ordem do ministro Alexandre de Moraes e hoje responde em liberdade.

A defesa de Martins também apresentou documentos oficiais do serviço de imigração dos Estados Unidos, apontando que ele não entrou nos Estados Unidos.

Shor disse que o pedido de prisão não foi embasado em outras provas, além do registro de entrada nos Estados Unidos. Os pais do ex-assessor disseram a policiais que ele estaria fora do país. Ele também alegou que a informação da viagem, embora tenha sido usada para prender preventivamente o ex-assessor, é irrelevante no contexto das acusações a que ele responde.

Martins é acusado de ter ajudado a redigir a minuta do golpe, uma das mais decisivas provas de que Bolsonaro e seu entorno pretendiam romper com a ordem constitucional.

Ainda de acordo com o delegado, relatórios de entrada e saída do Palácio da Alvorada e dados de viagens da Uber corroboram dados repassados por Mauro Cid de que Martins participou de duas reuniões, nos dias 19 de novembro e 7 de dezembro de 2022, em que a minuta do golpe foi discutida.